quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pra que tanto ovo?




Pra um bolo? Um doce?
Não, não estou num restaurante português....
Estou no Ten Kai, restaurante japonês em Ipanema, na esquina das ruas Prudente de Moraes e Paul Redfern. O restauranteur Cesar Hasky, comanda os 2 Ten Kai no Rio (Ipanema e Centro) há 11 anos. Ele, um apaixonado pela culinária japonesa, teve em seu quadro de funcionários um mestre sushiman (que faleceu ano passado) que ensinou mais do que sushis e tradições japonesas. Talvez este funcionário tenha incentivado o próprio Cesar a se tornar um fiel seguidor desta culinária e suas tradições.
Para jantar.... Sukiyaki.....mas diferente.....com ovo cru...!!!
O Sukiyaki tem origem camponesa e data da era medieval.
A palavra Sukiyaki é uma palavra composta onde Suki significa rastelo e Yaki significa assar, deste modo, sukiyaki significa assar com rastelo.
Muito antigamente os camponeses assavam batatas-doces diretamente no fogo com o auxílio de um rastelo japonês (para facilitar o processo) e evitar que os camponeses levassem instrumentos muito pesados. Ai, o tempo foi passando, e os camponeses começaram a assar outros tipos de legumes, foram colocando outros ingredientes, um molho aqui, outro tempero ali, deixaram o rastelo de lado e puseram tudo numa panela de ferro (que também fazia as vezes de prato onde todos comiam na mesma panela....ui). Nas festas tradicionais, o sukiyaki já era obrigatório, depois da re-leitura do prato acabou ganhando um valor espiritual reafirmando os laços familiares, afetivos e de amizade através da mesa.
Voltando ao jantar....veio uma atendente, ajoelhou-se trazendo os ingredientes do sukyiaki, panela e os ovos. Aquece a panela, derrete a manteiga, refoga um pouco a carne, coloca as folhas de acelga, a cebola, tudo em cubo ou quadrado ou do tamanho de uma bocada, já que se come com hashi (= varetas utilizadas como talheres em boa parte dos países do Extremo Oriente), os cogumelos, as cebolinhas e o tofu em cubos, mexa daqui, mexe dali, põe o molho dashi (feito com shoyu, os sakes comum e mirim doce e açúcar), macarrão de batata, cozinha mais um pouco e pronto. Ela pegou 2 ovos, bateu na mão e deixou ali do meu lado. Fez isso com os outros. Cada um com sua porção de ovos batidos. Daí entendemos qual era a idéia....pega um pedaço de carne, passa rapidamente nos ovos batidos e...nhac....Sim, ovo cru (e eu não gosto disso, hein) mas são ossos do ofício, então encarei. Com o calor intenso do ingrediente que está na panela, fervendo, na sua frente, quando você passa rapidamente pelo ovo, este cozinha um pouco...não fica com gosto de ovo, nem cheiro de ovo. Lembra aquele ovo mole, que a gente comia no café da manhã, antes das salmonellas serem descobertas?????Então, é este gosto que fica, misturados o gosto dos outros ingredientes...TUDO DE BOM. Comi alguns, pois como já não estou mais acostumada a esses exageros noturnos, é melhor evitar abusos....
MUITO BOM!




Daniela Meira – Produtora de Culinária – Mais Você

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Bar do Mineiro







Bar do Mineiro – Pastel de Feijão – Morro de Santa Tereza – RJ

Já caía a noite e no entardecer, começamos a subir o morro de Santa Tereza. Depois de vários butecos e petiscos, o que encontrei no Bar do Mineiro não foi o melhor petisco ou atendimento....foi o clima de buteco em paz. Já viu um buteco em paz? Não sei se é por causa de Santa Tereza, mas foi a primeira vez que senti que estava num buteco em paz. O pastel não me disse nada. Não pediria novamente e acho que tentaram, pelo menos, ser criativos em apresentar um novo recheio num petisco tão popular. E por ser tão popular, o petisco tem que ser muito bom. Mas muito bom mesmo, senão as pessoas vão preferir o tradicional......as pesquisas que já fiz, os concursos onde fui jurada me mostraram que as pessoas tendem a preferir o tradicional....por mais que o inovador seja excelente, as pessoas vão votar no tradicional. Segurança??? Já estão acostumados?? Não sei o que leva às pessoas a votar geralmente no tradicional.

Além do buteco me transmitir paz, o clima de final de tarde (que tem tudo a ver com happy hour) e o trilho do bonde antigo, iluminado por uma réstia de luz solar, me levou a outro estado de espírito. Como se me sentisse mais elevada, não sei. Talvez as pessoas procurem os butecos para isso mesmo....sair de um estado comum e elevar-se. Animar-se. Mudar a crença.....passar a acreditar num momento melhor ou passar por um momento melhor.

Um momento de lembranças, fotos, souvenires, relíquias, presentinhos. Poderia passar 2 horas observando o que estava pregado nas paredes ou sobre o balcão principal. Uma história importante, com certeza. Ninguém guarda lembranças e regalos, se não representasse algo bom...então, este clima de boas lembranças ficou impresso em cada parede daquele lugar e transmitiu uma história de paz.

O petisco? Comi. Vou voltar por causa dele? Não. Volto para outros petiscos e para o mesmo clima que encontrei lá.

NOTA: 8

Daniela Meira – Produtora de culinária - Programa Mais Você

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Um passeio por bairros e botecos do Rio de Janeiro


E fui convidada a participar como jurada do 1º Comida de Buteco do Rio de Janeiro...convite melhor não poderia ser, julgar 3 petiscos de acordo com os seguintes quesitos:
" Melhor Tira-Gosto
" Temperatura da Cerveja
" Atendimento
" Higiene
Foram 31 dias, 31 butecos....e apenas visitei 20!!!!!!!! Os butecos que visitei foram:
Aconchego Carioca (Praça da Bandeira) - Bolinho de feijoada
Baixo Araguaia (Freguesia) - Coração de Frango
Bar Brasil (Lapa) - Bolinho de Carne
Bar do Mineiro (Sta Tereza) - Pastel de Feijão
Bar do Seu Tomé (Recreio) - Bolinho de abóbora com carne-seca
Beco do Rato (Lapa) - Pastel de Angu recheado com bacon, couve e torresmo
Belmonte (Flamengo) - Canjica com carne-seca
Botequim Casual (Centro) - Polvinhos Estufados
Bracarense (Leblon) - Bolinho de Camarão com Aipim e Catupiry
Enchendo Lingüiça (Grajaú) - Joelho de Porco
Gracioso (Praça Mauá) - Risole de Camarão
Jobi (Leblon) - Caldinho de feijão
Mangue Seco (Centro histórico) - Moquequinha do Mangue
O Original do Brás (Brás de Pina) - Um rolé pelo subúrbio
Pavão Azul (Copacabana) - Patanisca
Petisco da Vila (Vila Isabel) - Caranguejo
Petit Paulette (Praça da Bandeira) - Copa Loma assada com molho escuro e legumes crocantes
Real Chopp (Copacabana) - Picanha na Pedra
Restaurante Siri (Vila Isabel) - Porção Camarão Miúdo ao Alho
Varnhagen (Maracanã) - Croquete de Carne
E como trabalho com gastronomia há mais de 10 anos e vivo esta função/hobby o tempo todo por causa do Programa e por que gosto muito do que faço, é claro que inclui nesta avaliação outros quesitos como:
" se você é dono de um boteco e aceitou participar de um concurso que irá eleger o melhor buteco do Rio de Janeiro, como você pode oferecer a originalidade de “Porção de Coração de Frango”???Onde está a originalidade de um bolinho de bacalhau sem batatas, ou seja, “Pataniscas” que ficou seco por que não souberam fazer direito...???
" Vc é dono deste boteco e quer participar do concurso por algum motivo. Veja, se você for um dos 6 piores, será REBAIXADO.....isso é bem ruim, já que você quer concorrer e se acha o melhor do Rio... Vamos fazer algum petisco que valha concorrer neste que é um excelente veículo de circulação nacional, que sempre foi feito em Belo Horizonte (MG).
" O seu buteco vai analisar: aparência do petisco, sabor, criatividade, e vontade de ser o melhor...ou não? Então não concorre... só 31 foram selecionados...deixe que outros butecos mostrem criatividade. Valeu?
" Sempre digo às pessoas interessadas em participar do Programa e me dizem: a receita é muito gostosa e linda. Vale a pena. OK... “Qual é a receita??” eu pergunto... “É um peixe empanado servido com molho de espinafre. Você precisa provar, vai adorar”... “Eu tenho certeza que sim”, respondo, “mas o que tem de novo nesta receita?” “Você tem que provar...”Então, pessoa....a receita sempre é bonita e gostosa...você não vai preparar uma receita feia e ruim, nééééé??????? Qual é o diferencial? Nenhum....nééééé?????
" Vamos lá. O telespectador vai gastar dinheiro para comprar os ingredientes, vai gastar um tempo para fazer a receita e mais....., vai esperar ansiosa até o término da receita e enfim, o momento de prová-la. E as chances da pessoa se frustrar é maior do que ela se surpreender....Então...vamos pensar no gasto financeiro, no gasto de tempo e de espera e transformar tudo isso numa enorme dança através dos sentidos....nééééé??
Daniela Meira - Produtora de culinária - Programa Mais Você