quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Para curar ressaca

Recebi um email da minha mãe, mostrando diversas fotos de Machu Picchu (Peru) e no final uma foto no mínimo curiosa. À esquerda está a foto do email e à direita uma foto retirada do Google Imagens, praticamente do mesmo ângulo da primeira.


Bom, as fotos estão ai para uma análise sua. Se a foto é verdadeira (a da esquerda) ou não, não sei, mas aproveito essas imagens para falar do que gosto. A gastronomia. E por que não da gastronomia peruana?? Em São Paulo, fui ao restaurante badalado La Mar (Cebicheria) e adorei os ceviches (pode ser falado ceviche ou cebiche, mas vou ficar com a primeira palavra, ok?) e principalmete o Leche de Tigre que nada mais é do que a própria marinada em que o peixe ficou "cozinhando" , com limão, sal, aji...servido num copo e às vezes vem até uns fragmentos pequenos de peixe...e dizem que é bom para tudo, inclusive para curar ressaca... Alguns coam esta marinada e acrescentam vodka ou vinho branco ou salsão...outros não coam e servem do jeito que está. Você está zonzo hoje? Prefere que as pessoas cochichem ao invés de falar? As luzes estão mais brilhantes hoje do que ontem? Corra para a cozinha, prepare um delicioso ceviche e leche de tigre e prove!!! Você vai se sentir bem melhor!!


Vou explicar:
Ceviche é um prato feito com peixe cru, típico da culinária peruana. Por um grande período as pessoas que viviam na costa da América se alimentavam basicamente dos pescados que haviam em abundância no Oceano Pacífico. Esses pescados eram normalmente temperados com aji (aquele tipo de tempero picante) ou outras pimentas e sal. No século XVI, os espanhóis que vieram para a América trouxeram alguns temperos e entre eles os limões (da África do Norte) e as cebolas. Juntar esses dois temperos no prato diário dos peruanos foi um pulo e ai estava criado o prato mais tradicional do Peru, o ceviche. Depois outros temperos foram sendo adicionados, mas a técnica é a mesma. Peixe branco, sem gordura e de carne firme, cortado em pedaço pequenos e irregulares e marinados no suco do limão, cebola roxa (de preferência), sal, coentro picado, pimenta, aji e outros temperos picantes (caso queira incrementar) e depois deixam esses pedaços de peixe “cozinhando” neste suco ácido de sabores por umas 3 horas (na geladeira, de preferência) e está pronto.

Bom vou falar da experiência que tive em Curitiba, no Restaurante Pachamama (Rua Pasteur, 600 - Curitiba - PR, 41 3079-2975). Claro que pedi o ceviche que veio acompanhado de grãos de milho fritos e salgados (como se fossem nosso amendoim salgado, sabe), 2 rodelas de batata doce cozida e uma cama de alface, para decorar e um drink chamado de Peru Libre (é claro que é a versão de Cuba Libre e no lugar do rum feito com pisco). Nesta foto acima pode-se ver que o restaurante é na sala de uma residência. Quando eu cheguei com a Nadia Schiavinatto (do Conversa Temperada), o casal estava vendo um concerto clássico na tv, nesta sala. A mulher, muito simpática veio nos atender enquanto o senhor já foi logo dizendo que não havia música típica do Peru e que ele estava vendo um concerto de música. (ok, né?). Depois que fizemos os pedidos, a mulher entrou na cozinha e o senhor foi junto. Ele perguntou o que havíamos pedido e preparou. Depois voltou à sala e continuou a assistir o concerto...enfim
O ceviche é um prato bem colorido e eu acho que os coloridos como sendo criados sempre por povos alegres, sorridentes(veja a culinária baiana ou cearense...são ultra coloridos e o povo mega feliz). Bom, um outro tipo de ceviche é o tiradito. A palavra tiradito vem de estiradito, que é uma forma de esticar o pescado para cortá-lo de forma diagonal (os japoneses usam esta técnica para trabalhar com os peixes). No tiradito o peixe é colocado apenas sobre uma camada de limão e coberto por um creme de aji e não leva qualquer acompanhamento. Além de peixes pode-se encontrar ceviche feito de camarão, lagostins, ouriço do mar, ostras e mexilhões.
Nestas épocas de verão, sol e corpos à mostra, nada melhor que um prato bem leve, saboroso e refrescante e que você pode deixar pronto na geladeira e comer na hora que der vontade. Só atenção: LIMÃO E SOL NÃO COMBINAM. Não esqueça que limão mancha e queima a pele. Então cuide-se.


Depois foi a vez de comer um prato quente. Escolhemos o Pescado Salteado, que são iscas de filé de peixe salteadas com cebola, tomate e temperos acompanhadas de arroz e fritas. Sim, o senhor estava apaixonado!!!! O prato é bonito e apetitoso, mas estava bem salgado. Tudo bem, às vezes a mão falha e o sal fica exagerado e ainda bem que havíamos pedido o suco de milho do Peru. Este suco é muito gostoso e não tem nada a ver com o suco de milho verde, que existe no interior de São Paulo. este milho do Peru é todo especial. Primeiramente pela cor. A espiga de milho é escura, bem escura (não é preta, mas sim roxa escuro). O nome do suco é Chicha e é feito com milho roxo, canela, casca de abacaxi, limão e açúcar. É gostoso. Valeu ter pedido pois o prato estava bem salgado...
Bom, para terminar, abaixo uma foto, mostrando o fofinho vendo tv na sala. O ambiente é mega agradável, as instalações gostosas, bem decorado e volto com certeza para provar outras delícias e comer novamente o ceviche tão bem feito e temperado quanto do La Mar de São Paulo, ultra badalado.


Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você

A Lentilha e Duas Histórias

Para atrair sorte...existem muitas mandingas, crenças, rituais... o que realmente importa é acreditar em algo, nem que seja nos doentes (!!), mas acredite e faça seu ritual.
O que a grande maioria dos brasileiros gosta de fazer para o réveillon é a famosa lentilha. Normalmente tomada nos primeiros segundos do ano-novo, com os pés acima do chão (eu gosto de subir na cadeira à meia-noite e de lá do alto tomar a sopa) acompanhada de desejos, pensamentos individuais e olhares de esperança para famosa estrada do porvir.

A 1ª HISTÓRIA
Muito bem. Aproveitando o momento, deixo aqui registrada a sopa de lentilhas que minha mãe faz e que tem me dado muita sorte e alegria. Agora uma coisa...eu estava conversando com meu amigo e subchefe do Programa Mais Você Marco Lima que me relatou hoje o seguinte ocorrido: Dani, eu estava no supermercado para comprar o arroz 7 grãos que é fácil e prático de fazer para o reveillon e com prar e lentilha também. Mas neste local não tinha lentilha e resolvi não procurar em outro lugar pois no Rio de Janeiro estava chovendo muito hoje. De repente uma senhora veio perto de mim e ficou indignada por não ter lentilha no local e ficou falando: Meu Deus! Como vou fazer?? Preciso de lentilha!!! Lentilha!!!! Lentilha!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Como vou ter dinheiro no ano que vem sem lentilha????
É claro que Marco Lima não perdeu a oportunidade e respondeu à senhora: - Minha filha, não é a lentilha que vai te trazer dinheiro, não....É o seu trabalho que vai!!!! Então, vai trabalhar!!!
E depois completou...Faleeeeei!!!

O GRÃO
ORIGEM - É um dos mais antigos alimentos do homem. Existem registros da presença de lentilha, entre 8.000 a 7.500 a.C., no norte da Síria. O cultivo da lentilha, assim como o da ervilha, parece estar associado com o início do cultivo do trigo e cevada, no Oriente. A Bíblia faz referência à lentilha por três vezes, no Antigo Testamento. Ela menciona, em Gênesis 25, a venda da primogenitura de Esaú e Jacob, tendo como pagamento um prato de sopa de lentilha. É RICA EM - Vitamina A, B, B2, B5, C, cobre, enxofre, iodo, magnésio, zinco, potássio, sódio. Do ponto de vista nutricional, a lentilha tem sido utilizada nas dietas para baixar os níveis de glucose no sangue (após as refeições) tanto em pessoas com e sem diabete.


A 2ª HISTÓRIA
Abaixo uma historia que tirei da revista Muito Mais Informação da Região Metropolitana de Campinas, escrita pelo J. A. Dias Lopes.

Ao voltar faminto de uma expedição ao campo, o caçador Esaú encontrou o irmão gêmeo Jacó fazendo uma sopa de lentilhas. O aroma inebriante que recendia do fogo aguçou seu apetite. O esperto Jacó tivera a premonição de que o irmão não ia resistir à tentação deliciosa. Deve ter escolhido os grãos mais bonitos e usado os melhores temperos, antes de submetê-los ao longo cozimento.
“Dê-me dessa comida”, implorou Esaú. “Vende-me o teu direito de primogênito e eu te darei um prato dela”, propôs Jacó. Esaú aceitou o negócio: “Estou morrendo de fome e não faço questão desse direito.” Jacó insistiu: “Jure.” Resposta de Esaú: “Juro.”
Segundo o Gênesis, primeiro livro da Bíblia, Esaú abriu mão do direito de primogênito por aquele singelo prato de lentilhas. A trama prosseguiu.
Quando Jacó, passando- se pelo irmão, enganou o pai velho e quase cego, obtendo a bênção especial que confirmou sua conquista, Esaú se enfureceu.
Chegou a pensar em matar Jacó, que fugiu para o Norte distante. Trabalhou anos com um tio e só então voltou. Para seu alívio, Esaú o recebeu fraternalmente. Mas, selada a reconciliação, cada um seguiu o próprio caminho.
Abdicando o direito de primogênito, Esaú abriu mão do privilégio de suceder o pai como chefe da família e exercer autoridade patriarcal. Mas acabou tendo sorte, pois mais tarde se tornou um homem rico. A superstição afirma que isso aconteceu porque comeu o prato de lentilhas. Tem ascendência bíblica, portanto, o alimento mais freqüente nas ceias do réveillon. Em vários países do mundo, incluindo o Brasil, acredita- se que saborear lentilha no final do ano propicia dinheiro por 12 meses. As pessoas que dela se abstêm cometem erro imperdoável.

A LENTILHA E O DINHEIRO
A associação da lentilha com o dinheiro viria de seus grãos miúdos e achatados, que lembram uma pequena moeda. Para milhões de pessoas, consumi-los no réveillon equivale a fazer promissora aplicação financeira.
Mesmo para os indiferentes à superstição, o final do ano é boa ocasião para comer um alimento precioso. Planta anual, da família das leguminosas, da qual consumimos apenas as sementes, que apresentam cor marrom, verde ou vermelha, a lentilha se presta a inúmeras receitas. Seu sabor talvez evoque o do feijão. Harmoniza-se com ingredientes como a carne de porco, o toucinho, a lingüiça e o “cotechino”, embutido de origem emiliana. Vai bem em sopas e cremes, purês e saladas (França), antepastos e molhos de massas (Itália). Misturada com arroz e cebola frita, transforma-se em clássico da cozinha árabe.

NUTRICIONALMENTE...
Poderosamente nutritiva, a lentilha fornece 336 calorias a cada 100 gramas de grãos. Além disso, é rica em proteínas, fósforo, ferro e vitamina B. Possui elevada quantidade de fibras. Nutricionistas empenhados em reorganizar dietas desequilibradas aplaudem essa virtude. Em 100 gramas de grãos há quase um terço de fibras, 50% a mais do que necessitamos por dia. A Universidade de Saskatchewan, no Canadá, realizou uma pesquisa com voluntários de 19 a 38 anos e concluiu que o consumo regular de lentilha diminui o risco de câncer no intestino e ajuda a reduzir a taxa de colesterol do sangue.


ANTIGAMENTE...
Embora sem conhecimento científico, os povos antigos intuíam essas propriedades. Na Renascença, empregava-se a lentilha na recuperação dos doentes. O mesmo remédio era ministrado para controlar as pessoas de temperamento insuportável. Com a parte herbácea, faziam poções usadas como coagulante nas hemorragias rebeldes. O escritor latino Columella, que viveu no século 1º e deixou textos sobre agricultura, garantiu que os romanos curavam a tosse dos cavalos com uma pasta à base de farinha de lentilha.
Foi uma das primeiras plantas alimentícias cultivadas pelo homem. Sua descoberta ocorreu provavelmente na Ásia, talvez na Mesopotâmia, há 8 mil anos. Portanto, entrou para nosso cardápio em tempos pré-históricos. Os egípcios e persas a apreciavam, mas ela só passou a ter maior importância quando chegou à Grécia e ao Egito. Atualmente, a Turquia e a Índia são os grandes produtores mundiais de lentilha. No Brasil, é cultivada principalmente nos Estados do Sul, porque sua cultura prefere os solos férteis das regiões frias. Ao mesmo tempo, suporta bem os períodos de seca.
Seu nome botânico é “Lens esculenta”, mas também a chamam de “Lens culinaris”, pela importância gastronômica. Como é vendida seca, necessita ficar de molho durante algum tempo. O fato de aumentar de volume durante o cozimento é outro sinal de bom augúrio. Esaú talvez nem sonhasse com isso. Mas, segundo a superstição, foi o primeiro beneficiário de sua magia.



Bom, depois desta vamos à receita e lembre-se, SEMPRE  o que vale é a intenção.

 
LENTILHA QUE DÁ SORTE

3 litros de água
2 xícaras (chá) de lentilha
6 colheres (sopa) de azeite
5 colheres (sopa) de cebola ralada
1 dente de alho amassado com sal a gosto
1 colher (chá) de manjerona
pimenta-do-reino a gosto

Leve ao fogo uma panela grande com a água e a lentilha (lavada...é sempre bom) e deixe cozinhar bem sem secar a água (uns 40 minutos). Deixe a panela semi tampada se quiser.
À parte leve ao fogo médio uma frigideira com azeite, deixe esquentar bem, junte a cebola, o alho previamente amassado com sal, manjerona e pimenta-do-reino a gosto e vá mexendo até ficar bem dourado. Acrescente na lentilha cozida, deixe ferver bem até engrossar o caldo, mexendo de vez em quando para não queimar (fogo baixo). A consistência do caldo fica ao seu gosto.

Sirva, sobre uma cadeira no primeiro segundo do dia 01 de janeiro e deseje tudo de bom!


FELIZ ANO-NOVO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(fiquei sabendo que a cor de 2010 é dourado...então...por que não....não custa nada!!!)

Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você






segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Michelada, você ja provou?


Existe um drink mexicano chamado Michelada.
Bom a história é a seguinte: Durante a Revolução Mexicana (1910), um general chamado Don Augusto Michel da cidade de San Luis Potosi (+/ 360 km da Cidade do México), costumava visitar um restaurante (huummm, tinha tempo para ir frequentemente a este restaurante durante a revolução....sei) e gostava de beber sua cerveja de uma maneira nada usual... Em um copo com gelo ele colocava suco de limão, sal, molho shoyo, pimenta do reino, chilli e tabasco. Misturava tudo e bebia feliz da vida, pronto para as novas investidas revolucionárias, anti-imperialistas. Muito bem, este drink (ou esta maneira de tomar cerveja temperada....é como se estivesse temperando o suco de tomate, sabe, mas com cerveja no lugar do suco) logo se transformou em uma bebida popular, fazendo o restaurante ficar famoso. Por causa disto o dono do estabelecimento decidiu batizar o drink em homenagem ao seu criador. Hoje você pode pedi-lo como Michelada e é um grande sucesso em Nova York. Aqui no Brasil é melhor tentar encontrá-lo em casas mexicanas (é óbvio) ou procure locais que vendam cervejas diferenciadas ou cervejas gourmet.

Bom, a receita (que me passaram do drink que eu tomei) para você fazer em casa é a seguinte:
- gelo um pouco picado
- suco de 1 limão
- meia colher (sopa) de tabasco vermelho
- meia colher (sopa) de molho inglês
- meia colher (sopa) de molho de soja
- 1 pitada de sal
- 300 ml de cerveja clara (de sua preferência...é claro que na receita original usavam cerveja mexicana)
- chilli para polvilhar a gosto

Coloque todos estes ingredientes no copo com bastante gelo, salpique chilli e tome com um canudo.
Bom, eu pedi este drink numa cervejaria gourmet, tomei 3 goles e não gostei. Claro que gosto é gosto, mas acho que vale experimentar e ver se você gosta, certo?

Eu preferi trocar por uma cerveja espanhola Bock Damm (com 250 ml). Esta é uma cerveja escura, com sabor forte de malte, encorpada, ligeiramente doce e achocolatada e combina bastante com carnes vermelhas. No rótulo você pode ler Negra Munich. O negra significa que o malte usado foi tostado e às vezes até queimado...(huumm). Algumas cervejas negras, pela intensidade de seus aromas e sabores são também chamadas de Stout, que significa robusto...(huummm). Existe um babado a cerca desta cerveja... Segundo a lenda impressa nas latas (não foi impressa nas garrafas não sei o por que) a origem da Bock vem do século XIV na cidade de Einbeck (Alemanha), mas a guerra dos 30 anos (1618-1648) provocou seu desaparecimento. Depois que a guerra acabou o Maximiliano I (imperador Romano-Germânico) pediu ao mestre cervejeiro de Einsbeck (Sr. Pilcher) os segredos de como fazer a cerveja Bock, que ele havia passado para a cidade de Munique (Munich). Bom em 1888, seguindo as tradicões de Munique, foi criada a Bock-Damm, espanhola. O termo Bock surgiu a partir da abreviação de como o nome da cidade de Einbeck, na Saxônia, era pronunciado. Em alemão, Bock significa carneiro (huuummm). A impressão que aparece no rótulo da Bock-Damm, hoje, é uma reprodução do símbolo original do rótulo de 1888.


Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você

domingo, 27 de dezembro de 2009

Siga seu Rumo

Pimpinela. Quando você ouve este nome o que vem à sua cabeça?


A primeira coisa em que penso é naquela dupla argentina de irmãos cantores (Lucia e Joaquin Galan) que fez sucesso nos anos 80 com a musica "Siga seu Rumo"
Eu também poderia pensar na erva doce (Pimpinela anisum) muito utilizada para fazer chá para acabar com as cólicas dos bebês, mas....

 Existe uma lenda carioca que fala de uma moça, chamada Pimpinela, que andava por várias ruas da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (hoje somente Rio de Janeiro) e principalmente nos arredores do Terreiro do Paço vendendo café. Quem provou assegura que ela fazia o melhor café torrado da cidade e até que ela deveria guardar algum segredo pois seu café se distinguia dos outros pelo aroma, sabor e cor.

Muito bem. Existe um local, no aeroporto Santos Dumont (RJ), ao lado da porta de embarque, no 2º piso, que é parada obrigatória para quem tem uns minutos até o embarque.Lá você pode comer um lanche, tomar um chá gelado (tipico do carioca) e tomar um Café Pimpinela. Sim, o café servido neste local (Pátio Pimpinela) é bom, vale dar uma paradinha e prová-lo, mas o que me encantou mesmo foi o pão de queijo.
Uma tarde desta semana eu cheguei ao aeroporto mais cedo e mesmo ja tendo almoçado, resolvi dar uma paradinha e tomar um café. O local estava abarrotado de pessoas que dali a pouco iriam seguir seus rumos, acompanhadas, sozinhas, com notebook ligados para lerem os ultimos emails antes da partida, namorados tomando o último suco antes de se despedirem e eu, quando de repente, a funcionária do local veio com bandejas recém-saídas do forno, cheias de PÃES DE QUEIJO. Mas não eram simples pães de queijo.


Eram os PÃES DE QUEIJO que me deixaram com os olhos estaticamente abertos, acompanhando aquela dança da funcionária com a bandeja cheia, abrindo o balcão de salgadinhos, para delicadamente posicioná-los no melhor local para serem apreciados, reverenciados e com certeza desejados serem mordidos.Não resisti!
Fui ao caixa (no lado oposto) e pedi. "Um pão de queijo, por favor". Me deram a ficha e voltei à vitrine dos desejos. A mocinha pegou minha ficha, abriu a portinha do balcão e pegou aquela preciosidade. Colocou-o em um pratinho branco sobre um guardanapo branco e me entregou. Fiquei por um tempo admirando aquela obra de arte e pensando por que aquele pão de queijo me chamou a atenção. Não sei....
Dei uma mordida e confesso com medo de me decepcionar com o sabor, mas isso não aconteceu. Esse pão de queijo é tão gostoso que me fez dedicar um post unicamente para falar dele.


Vale conferir e boa viagem seja qual for seu rumo.

Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Brasil e seus sabores - Parte I - Espírito Santo

Inicio hoje um quadro neste blog. Ele se chama Brasil e seus sabores e terá quinzenalmente uma culinária regional tradicional de algum estado. Pretendo completar os 28 estados, todos com informações respectivas a cada um e no final uma receita prá lá de aprovada. A ordem de aparição de cada Estado é unicamente aleatória.

Na culinária capixaba se destacam os pescados. Este Estado tem tradição pesqueira herdada dos índios que juntamente com a influência da cultura dos negros e dos europeus aprimoraram a culinária neste Estado.  Esta mistura de culturas deixou mais aguçado os 5 sentidos de cada pessoa promovendo o prazer individual reforçado pelos pratos ricos em zinco e selênio, minerais famosos por aumentarem a testosterona e conseqüentemente a atividade sexual...mas este é outro assunto.

Entre os pratos típicos mais famosos do Espírito Santo existe a torta capixaba, a muma de siri, a caranguejada e a moqueca (cuja receita especialíssima esta abaixo)  famosa internacionalmente. O nome "moqueca" define um estilo de preparar o alimento que consiste no cozimento sem água, apenas com os temperos e frutos do mar e, ao contrário da moqueca baiana, nesta capixaba não entra azeite de dendê e nem leite de coco.  A torta capixaba é preparada com vários frutos do mar, como siri desfiado, camarão, ostra e sururu, além de bacalhau e palmito e é um prato feito tradicionalmente durante a Semana Santa.

A técnica de catar o caranguejo para a caranguejada é a mesma que já utilizavam os indígenas, fartos comedores de caranguejo - vai-se com lama até os joelhos e recolhe-se os caranguejos no tato e no jeito, para que os dedos não sejam mordiscados pelos fofinhos!! Nota: Muita gente confunde siri com caranguejo. Mas eles são bem diferentes. A principal diferença entre esses dois crustáceos é que o último par de pernas do siri termina em uma espécie de nadadeira, enquanto que o do caranguejo termina em forma de unha. Além disso, o siri tem, dos lados da carapaça, espinhos longos e bem afiados. E o caranguejo é mais arredondado nas laterais do corpo. O siri e o caranguejo são carnívoros. Eles usam as garras para pegar um peixe e levá-lo à boca, onde é triturado e engolido. São capazes até de quebrar a concha de um mexilhão para comê-lo. Vivem andando pelas rochas da praia, escondendo-se em frestas. Podem também viver no mangue, lugar onde o rio desemboca no mar enterrados em buracos na lama ou trepado nas árvores típicas dos manguezais. Alguns vivem entre pedras e plantas, no fundo dos rios.

siri caranguejo


O siri, crustáceo primo do caranguejo, é pescado com uma rede que parece aquele de caçar borboletas (jereré ou puçá) e que levam a isca. Para a pesca sem isca geralmente é feita à noite com luz dos lampiões.

A Famosa Panela da Moqueca

A panela de barro é, sem dúvida, uma das maiores expressões da cultura popular do Espírito Santo. Desde a sua origem - nas tribos indígenas que habitaram o litoral do Estado - até os dias de hoje, a técnica de sua confecção e a estrutura social das artesãs pouco mudou. O trabalho artesanal das paneleiras sempre garantiu a sobrevivência econômica de seus familiares, como também de suas tradições. A região de Goiabeiras, ao norte da Ilha de Vitória, sempre foi o local tradicional da produção de panelas de barro. No início, o trabalho era familiar e as panelas eram feitas nos quintais das casas das paneleiras.

As panelas de barro constituem o principal elemento cultural na elaboração de pratos típicos da culinária capixaba. A moqueca capixaba, a moqueca de garoupa salgada com banana-da-terra e a torta capixaba têm de ser feitas em panela de barro, para serem autênticas. A produção é constante e todas as peças produzidas são vendidas aos turistas e à população da Grande Vitória. As vendas são feitas diretamente no galpão da Associação das Paneleiras e caso você se interesse, vale conferir (27-3327-0519), em Goiabeiras, e nas lojas de artesanato

MOQUECA CAPIXABA

Ingredientes:
- 1 kg de peixe (badejo, dentão, robalo, papaterra, dourado, namorado ou cherne) cortado em postas largas
- suco de limão para passar nas postas
- água e sal para deixar as postas de molho

- 3 dentes de alho descascados
- 1 cebola média picada
- 1 maço de coentro picado
- 1 maço de cebolinha verde picada
- 4 tomates
- sal a gosto

- 2 colheres (sopa) de óleo
- 1 colher (sopa) de azeite de oliva

- fio de azeite
- suco de 1 limão

- 3 colheres (sopa) de urucum
- 2 colheres (sopa) de óleo

Modo de Preparo

→ Em uma tigela coloque as postas de peixe (de sua preferência) e lave-as bem com suco de limão. Depois coloque água até cobrir as postas junto com um pouco de sal. Deixe descansar por 40 minutos.

→ Em um pilão (ou bowl) coloque metade do alho, da cebola, do coentro, da cebolinha (picados), do tomate e sal a gosto e soque bem formando uma pasta (como se estivesse fazendo um curry verde).

→ Esfregue bem, no fundo de uma panela de barro, 2 colheres (sopa) de óleo e 1 colher (sopa) de azeite de oliva. Depois passe a pasta (que você socou no passo 2) no fundo da panela, besuntando-a bastante.

→ Retire as postas de peixe da água com sal e limão e passe-as, de um lado e do outro, nos temperos da panela e vá ajeitando-as no fundo, de modo que não fiquem sobrepostas, mas sim em uma camada só (para isso é bom verificar o tamanho da panela de barro que você tem ou que você vai comprar)

→ Coloque a outra metade do alho, da cebola, do coentro, da cebolinha e do tomate e coloque nesta ordem por cima das postas de peixe. Regue com um fio de azeite e suco de 1 limão e deixe tudo descansando por 40 a 60 minutos.

→ À parte e em uma panelinha em fogo médio derreta 3 colheres (sopa) de urucum em 2 colheres (sopa) de óleo.

→ Na hora de levar as postas ao fogo para cozinhar, despeje um pouco do urucum derretido por cima da moqueca e quando começar a ferver, acerte o sal. DICAS: Não ponha água, não vire as postas e cozinhe com a panela sem tampar. Deixe no fogo alto por 20 a 25 minutos. OUTRA DICA: Balance, de vez em quando, a panela com o auxílio de um pedaço de pano grosso, para que as postas de peixe não grudem no fundo da panela.



foto:felipeozores.files.wordpress.com

→ Sirva com arroz branco, um pirão e aquele molho de pimenta!!

fotos:
- menino catando caranguejo - desastrelandia
- indios pescando - purl.pt



Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você



quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Barreado...no Rio de Janeiro??


Outro dia fui com meu chapa Marcio Moreira (chefe de cozinha do Programa Mais Você) neste restaurante chamado Barreado - RJ. Achei que eu fosse comer aquele prato famoso do Paraná com o mesmo nome, feito com carne de boi, muitos temperos e água, colocados numa panela de barro que é fechada com uma massa feita de água e farinha de mandioca e depois de tampada a panela, a carne fica cozinhando por mais de 5 horas. Bom, eu estava preparada para ver város tipos de barreado...mas.....este restaurante, que fica na Estrada dos Bandeirantes no Rio de Janeiro .... serve FRUTOS DO MAR... acredite!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Entramos, e ainda na entrada (que é diferente), eu senti como se estivesse entrando numa fazenda. Logo no centro do terreno fica o restaurante, redondo, com poucas mesas, estilo antigo, de interior, com telhado rústico. Mesas de madeira pesadas, tipo sitio mesmo.  A decoração da mesa do bar feita com frutas tropicais, flores e o pé direito sendo alto deu ao ambiente um ar de lugar com muito espaço. Espaço vazio é verdade, mas espaço. O local é arejado, bem iluminado, colorido e simpático.


No quintal algumas árvores e umas galinhas fofas, gordinhas, que ficaram ciscando por um tempinho e zanzando de um lado para o outro, sempre em bando. Até um galo deu o ar da graça e começou a cantar sobre um banco de madeira no quintal, bem perto de onde estávamos. " Cocorocó". Ele parecia ensinado e as galinhas, juntas, ciscando em baixo do banco, faziam parte do cenário. Gostei.
(nesta foto tente ver um galo afro-descendente com crista vermelha em cima do banco de madeira)

Bom, para acompanhar a moqueca (baiana) à base de frutos do mar...adivinhe....cerveja...

Temos moqueca de peixe, siri, frutos do mar... Outras gostosuras feitas com peixes e à noite pizzas assadas no forno (jura?) e com um descritivo apetitoso que está no cardápio, que diz...alem dos temperos frescos, cultivados em horta caseira, existe um ingrediente que dá à massa este sabor característico, isso é um segredo do Barreado. Escolha o seu sabor e bom apetite!! Calabresa, catupiry,napolitana,presunto, camarão...Huuuummmm. Quando eu leio ou ouço: sabor característico, eu logo lembro da minha professora na faculdade (Professora Roncada) que descrevia alguns quitutes como: esta bolacha tem sabor característico... Por favor me descreva o sabor característico de uma bolacha... E quando ela falava que o caju (ou qualquer outra fruta) mantem suas características organolépticas.....explique isso a um turista que nunca provou um caju..... 

Bom, voltando

Escolhemos uns pasteizinhos de entrada....huuummmm...Cocoricó, e o galo cantou. Veio o couvert, tomei mais dois goles de cerveja pois estava muito quente...Cocoricó...e o galo cantou novamente ainda em cima do banco no quintal. Depois de vários goles, de várias torradinhas com patê e de várias calorias ingeridas...eu já estava quase correndo atrás daquele galo que parecia que fazia de propósito. Eu estava com fome e estava esperando o almoço, tomando cerveja e a cada gole que eu dava, ele cantava (ou gritava, não sei o que pode definir melhor o barulho) e as galinhas ficavam ciscando e batendo as asas como se estivessem com calor e fome. Uma cena estranha que começava a me irritar, mas mantive a postura e ingeri mais algumas calorias (vazias).

A moqueca (baiana) de frutos do mar chegou...

No fundo do tacho, um caldo e alguns mariscos, lagostins, lula, polvo (ou pedaços), camarões, vongoles e outros pedaços de seres marinhos, que são cozidos quase juntos, com dendê, leite de coco e temperos...e esse caldo rico ainda é acompanhado por uma porção minuscula de pirão, uma porção master de arroz branco e mini porção de farinha.
Na verdade, o que aconteceu neste mar de dendê, leite de coco, temperos e frutos do mar, foi a falta de sabor geral. E não foi só mérito da moqueca não. Os pastéis, as torradas, o couvert também estavam sem sabor, infelizmente, pois o local é bacana, arejado, bonito, diferente. Só faltou dar sabor ao que vai servir. Os galináceos atrapalham. Ouvir o galo cantar algumas vezes de manhã, quando você viaja para o campo, é uma coisa. Mas enquanto você almoça ou durante o jantar é outra coisa bem diferente. Se eu quisesse ouvir o galo cantar durante minhas refeições, eu teria me mudado para o campo há muito tempo.
Eu recomendo o local para um happy hour para tomar cerveja e comer uns pastéis, só para acompanhar....mas para almoçar/jantar, não.

Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você






quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Chefe Confeiteiro Rafael Barros

O cara é o cara. Ele é fofo, gentil, elegante, fino, dedicado, didático, animado, competente e expert na profissão. Eu, particularmente, acho-o um exemplo de profissionalismo e humildade. E tudo o que conseguiu na vida foi através de todas estas qualidades.
Sim, estou falando do Chefe Confeiteiro Rafael Barros. Brasileiríssimo com notas francesas...é assim que o defino!!! Alegre e criativo como um brasileiro e tecnicamente profissional como um francês. Ah, ele também tem toques ingleses de educação e polimento. Adooooooooooooooooro esse menino.


Um pouco da história dele.
Rafael Barros, chefe confeiteiro, 34 anos, paulista, o primeiro emprego foi fazendo hamburger no Mac Donalds aos 16 anos. Em 1997 foi para os EUA se especializar em confeitaria no The Art Institute of Fort Laudesdale (EUA). Depois trabalhou em Miami e no Hotel Ritz de Lisboa. Voltou ao Brasil depois de conseguir  vários prêmios. Há 6 anos ele possui uma confeitaria chamada Opera Ganache (no Shopping Iguatemi em SP) e dá aulas na Universidade Anhembi-Morumbi (SP).

Em setembro do ano passado, no México, ele participou de um concurso de confeitaria da América Latina organizado por algumas empresas de chocolate e esta receita foi a campeã do concurso. Com esta conquista do primeiro lugar o Brasil teve direito a participar, pela primeira vez da Copa do Mundo de Confeitaria em Lyon (França) que existe há 20 anos. O Rafael estava lá com mais 2 chefes confeiteiros representando o Brasil.

No Mais Você ele já participou fazendo a receita de Macarons e depois fez uma Estrela de Coco que estão disponíveis no site do Mais Você

Abaixo esta receita premiada que o chefe passou hoje no programa

MOUSSE COM CREME BRÛLÉ DE AZEITE


INGREDIENTES PARA A MOUSSE DE CHOCOLATE
- 285 g de chocolate em pó
- 55 g de manteiga
- 500 g de creme de leite fresco batido em ponto de chantilly gelado
- 6 gemas
- 55 g de açúcar refinado

MODO DE PREPARO
1°- Numa panela em banho-maria derreta 285 g de chocolate em pó com 55 g de manteiga e reserve.


2°- Num bowl (ou tigela) em banho-maria coloque 6 gemas e 55 g de açúcar refinado e com auxílio de um batedor de arame bata até a mistura ficar leve, clara e fofa. Retire o bowl do banho-maria, transfira a mistura para uma batedeira e bata bem para incorporar mais ar. Deixe esfriar. Adicione o chocolate derretido com manteiga (reservado acima), misture bem e por último junte 500 g de creme de leite fresco batido em ponto de chantilly gelado. Reserve.

INGREDIENTES DO CREME BRÛLÉ

- 500 g de creme de leite fresco
- 100 g açúcar
- 1 fava de baunilha (ou essência de baunilha a gosto)
- 3 colheres (sopa) de azeite
- 10 gemas

MODO DE PREPARO
1°- Numa panela coloque 500 g de creme de leite fresco, 100 g açúcar, 1 fava de baunilha (ou essência de baunilha a gosto), 3 colheres (sopa) de azeite e leve ao fogo médio até ferver. Despeje esta mistura quente sobre 10 gemas e misture bem vigorosamente. Preencha o molde que desejar e leve para assar em banho-maria no forno pré-aquecido a 130° C até que esteja firme (25 a 30 minutos). Retire do forno e deixe esfriar. Assim que esfriar leve ao freezer.

INGREDIENTES DA MONTAGEM

- 1 pacote de biscoitos de chocolate picados (200 g)
- mousse de chocolate
- creme brûlé
- cobertura de chocolate

MONTAGEM
1°- Num aro forre o fundo com filme plástico. Coloque um pouco de biscoitos de chocolate picados. Depois coloque metade da mousse de chocolate, o disco de creme brûlé e cubra com o restante da mousse de chocolate. Leve ao freezer até firmar.

INGREDIENTES DA GLAÇAGE DE CHOCOLATE BLACK (cobertura)

- 185 g de água
- 80 g cacau em pó black
- 240 g de açúcar
- 15 g de gelatina em pó sem sabor (hidratada e dissolvida conforme o fabricante)
- 160 g de creme de leite fresco

MODO DE PREPARO
1°- Numa panela coloque 185 g de água, 80 g cacau em pó black, 240 g de açúcar e leve ao fogo médio até ferver. Retire do fogo, acrescente 15 g de gelatina em pó sem sabor (hidratada e dissolvida conforme o fabricante) e 160 g de creme de leite fresco. Deixe a mistura esfriar.

2°- Desenforme o doce e coloque-o sobre uma grade com um recipiente em baixo (obs: pois a glaçage vai escorrer). Despeje a glaçage em abundancia com uma concha para cobrir todo o doce. Decore com enfeites de natal e leve para geladeira até a hora de servir.


Gostou? Mais informações deste chefe acessem http://www.operaganache.com.br/

Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Cerveja para todas as horas!!


Você vai ao cinema e a sessão começa daqui a 45 minutos. Acompanhada, você resolve tomar um drink (é chique). Vai ao primeiro  "lounge" que encontra... - Destino Lounge & Bar, para tomar uns drinks e comer algum quitute já que o filme é de fantasma e meu amigo Márcio (chefe de cozinha do Mais Você) morre de medo de assombração. Este local onde fomos fica no New York Shopping (aquele que fica ao lado do Barra Shopping, ligados por uma passarela), no 2º andar, ao lado do cinema UCI.

Compramos os ingressos, fui ao banheiro e enquanto o Márcio me esperava, já foi pedindo 2 Stella Artois e uma porção de  bolinho de bacalhau. Combinação perfeita, né?
Tenho 2 histórias para contar.
A primeira história é sobre os bolinhos de bacalhau... Neste ano, eu e o Márcio, tentamos encontrar o melhor bolinho de bacalhau do Rio de Janeiro e sem brincadeira... NÃO ENCONTRAMOS.
Encontramos alguns bons, outros mais ou menos e muuuuitos ruins. Por isso, nossa missão continuará no ano que vem...Estamos à procura do melhor bolinho de bacalhau do Rio de Janeiro. Sabe aquele delicioso que de tão bom você come 3 unidades seguidas, sem pensar, mesmo depois de ter almoçado feijoada completa??? Pois é, aquele que tem a massa macia, o bacalhau úmido e bem temperado... sabe? Aquele que nem precisa de limão ou azeite, pois sozinho já está divino.

A segunda história é sobre esta cerveja. A Stella Artois faz parte de momentos muito importantes para mim. Encontros e comemorações. É isso o que representa. O gosto amargo e com identidade me faz lembrar de maravilhosos momentos. Vou contar uma historinha que tem a ver com reunião, amigos e bate papos, que achei curioso...
Esta cerveja belga Stella Artois foi criada em uma cervejaria chamada Den Hoorn que começou seus trabalhos em 1366 (antiga, né? O Brasil ainda estava com a Amazônia intacta e aqui só existiam índios!!!!) e que obviamente é uma das mais antigas cervejarias do mundo e fica na cidade de Leuven no interior da Bélgica. A qualidade desta cerveja produzida ficou mega conhecida e se espalhou pelo país.

Em 1425 foi inaugurada nesta cidade uma universidade. Como os jovens universitários se reuniam muito e sempre nesta cervejaria, a própria universidade resolveu patrocinar a cervejaria e favorecer estes encontros. resultado: os estudantes começaram a trabalhar em pesquisas para aprimorar ainda mais a qualidade da cerveja. Até hoje os laboratórios da universidade da cidade de Leuven  são usados para pesquisas de aprimoramento de várias cervejas belgas!! A cervejaria Den Hoorn passou a se chamar cervejaria Artois só no século XVIII quando foi comprada pelo mestre cervejeiro Sebastian Artois em 1717. O nome Stella Artois só foi dado quando a cervejaria resolveu lançar, no natal de 1926, uma cerveja com edição limitada e especial da cerveja Artois mais clara que as outras e por isso Stella (estrela em latim) que é um dos simbolos do natal!! De edição limitada a produção passou a ser regular e seu sabor conquistou o mundo. Hoje, a Stella Artois e sua estrela é a cerveja símbolo da Bélgica!!  

Bom, voltando do banheiro, um brinde e uma mordida...no bolinho. Na verdade eu fiquei com vontade de morder todos os funcionários do estabelecimento que estavam batendo papo, durante o expediente (foto à direita), quando havia mais clientes no local, esperando serem atendidos, ou para pagar a conta, ou para fazer um pedido. Eu volto a perguntar....Qual curso a brigada de um salão deve fazer para saber trabalhar e fazer um atendimento tão bom que o cliente volte ao local somente por causa do atendimento??

É claro que o bolinho de bacalhau estava horrível. Com gosto de absolutamente nada...pelo menos nao estava com gosto de óleo velho, mas sabor...não havia.
Sem sal, sem bacalhau, sem batata, sem tempero. Ele estava apenas frito e sequinho...pela foto já da para se ter uma idéia. Eu nem precisava provar, não é?

Pagamos a conta e fomos ao cinema: Atividade Paranormal...ui!!
Filme tipo documentário, que prende a atenção do começo ao fim. Gostei!!!

Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Você comeria?


O chefe de cozinha Marcos Sodre, dos restaurantes Sawasdee (RJ), esteve na Tailândia recentemente com o filho Tiago e trouxe para o programa Mais Você esses ingredientes. O que mais surpreendeu a todos nós foi o porco cozido e desfiado que mais parece uma estopa. Ele trouxe também, o limão Kafir, muito utilizado nos pratos tailandeses (e principalmente na sopa de que mais gosto Tom Kah Gai feita com leite de coco). As folhas do limão Kafir que dão um aroma refrescante aos pratos e a Curcuma Longa, que é uma raiz.

Abaixo as fotos deles e um pequeno descritivo.


Turmeric ou Curcuma Longa - É o nosso conhecido açafrão da terra só que na forma de raiz fresca. Nós não temos por aqui, somente na forma seca em pó. Na Ásia é muito usada em curryes, conservas, molhos, etc... A curcuma fresca é utilizada como o gengibre, além de dar cor ao prato ele tem um sabor amargo.
Na medicina Ayurvedica a curcuma é usada como antiséptico e agente antibactericida.




Limão Kaffir - é muito comum em todo o sudeste asiático, sua casca é utilizada na preparação das pastas de curry. O suco é muito ácido portanto não é utilizado na culinária e na Indonésia se utiliza o óleo da casca como inseticida natural. (será que poderíamos utilizar aqui contra esses pernilongos que picam a gente com garfo e faca???



A folha de limão kaffir é amplamente utilizada na gastronomia do sudeste asiático, é usada para dar sabor e aroma nos ensopados e sopas e cortada em tiras finas em saladas.



E o ingrediente mega estranho para nossos paladares. Dizem que os tailandeses ficam babando para comer esse "petisco"!!! Bom, o Marcos Sodre me prometeu trazer outras marcas deste petisco para ver se a gente prefere!!!! Ok Marcos!!!



Flossy pork ou fiapos de porco - é a carne de porco marinada em especiarias, açucar e cozida em baixa temperatura numa calda à base de açucar de palmeira, água e nampla (molho de peixe) por 10 horas, depois deixam a carne secar e em seguida é desfiada no sentido da fibra, se tornando como se fosse uma estopa de porco.
E pasmem: ela é normalmente consumida como aperitivo pura mas pode ser utilizada em pães, biscoitos e rolinhos. (Eu provei e...).

E em detalhes!!!!!






Olha que apetitoso!!!!!!








Para mais informações, acessem o blog do Tiago Sodre , chefe de cozinha e filho do chefe Marcos Sodre, que dá dicas e informações sobre esta rica experiência gastronômica que se chama: COZINHA!!


Daniela Meira - produtora de culinária Mais Você