quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ele trabalha no Fifteen com Jamie Oliver




Fabio Bertolazzi, um jovem brasileiro que chutou o pau da barraca por duas vezes, saiu do Brasil em busca de uma coisa que é importantíssima e sempre esquecemos de fazer: passar pela vida e vivê-la da melhor maneira, sem dar tanto valor aos bens materiais, mas sim aos bens adquiridos pela vida. Ele, por sinal, é meu primo LEGÍTIMO, de quem tenho muito orgulho, pois tudo o que ele conquistou foi com o próprio esforço e respeito da família e sem perder a leveza do "ser humano". Faz 11 anos que ele mora na Europa quando mudou-se para Londres em agosto de 1998. (esta foto tirada este ano na Ilha de Chipre)


Ontem conversei com ele pelo Skype e transcrevo o que me disse. No final vai uma sugestão dele de uma receita leve para o clima brasileiro!


LARGUEI TUDO PELA PRIMEIRA VEZ
Quando resolvi cursar Comunicação Visual, era muito jovem, 17 anos, muito imaturo, na minha opiniao. Ninguem sabe ao certo qual carreira escolher com esta idade. Fiz este curso mais para mudar daquela cidadezinha do interior (Monte Alto - SP) e morar na capital. Sempre fui muito curioso, sempre gostei de aprender coisas novas, conhecer pessoas, adquirir cultura, viajar. Resolvi mudar para a Europa não só pela cultura, mas tambem para ter mais conhecimento, mais aprendizado de vida, a verdadeira universidade (Faculdade da Vida), que ninguem ensina mas que você adquire com a maturidade. Saber discernir o que é bom e o que é mau (para você). Posso dizer que eu conhecia o micro e ampliei minha vida para o mega. O curioso é que nunca tive nenhum problema em adaptar-me com o NOVO, sempre absorvi tudo naturalmente, nunca tive receio das coisas que nao sabia, sempre quis saber mais, conhecer mais. O mercado de trabalho no Brasil me empurrou para fora. Eu explico: por ele ser muito competitivo, você precisa ter uma graduação, pós-graduação e doutorado para conseguir trabalhar em um banco (num emprego comum, sem muitas perspectivas) pois a competitividade, exige um diferencial dos demais. Eu não tinha tempo para perder, queria conhecer mais do que aquele mundo que eu achava pequeno, aprender mais e mais rápido, e sem ficar preso a um outro curso, uma outra faculdade. Eu acho que escolhi o caminho mais facil para mim na época. Pensando agora, talvez tenha sido o mais dificil: mudar para Europa, aprender inglês (que eu não falava) e tornar-me cidadão do mundo! Aprendi muito na Europa. Por exemplo, se você quiser cultura, conhecer pessoas que jamais teria acesso no Brasil, aqui é possivel. Eu conheco toda a familia real Inglesa, pois trabalhei 7 anos no Royal College of Physicians em Londres, onde havia jantares de gala e neles sempre havia algum componente da família presente, ou médicos famosos do mundo todo, lá eu pude conhecer tambem atores famosos, fashion designers, celebrity chefs (inclusive o Jamie Oliver com quem trabalho hoje), enfim pessoas que no Brasil só vemos na TV.


SER CHEFE NO BRASIL
Eu não acho que eu volte ao Brasil para trabalhar como chefe de cozinha. Eu gostaria SIM e NÃO!! Eu explico: SIM, porque gostaria de oferecer aos brasileiros um pouco do que aprendi, sabores novos de diferentes culturas e NÃO porque acho que meu tempo na cozinha como profissional já terminou. Eu tive um restaurante em Portugal (na cidade do Porto) onde cozinhei por 2 anos. Este trabalho é bem árduo, desgastante e nem sempre reconhecido. O reconhecimento só chega aos chefes famosos, celebridades e esquecemos dos bastidores. Esses famosos nunca trabalham sozinhas, tem sempre alguém ajudando a descascar aquela batata ou chorando com a cebola na mão...rsrsrs


Eu acho que o brasileiro, por não ter uma cultura homogênia, gosta muito de novidade. Temos a culinária japonesa, siria-árabe, alemã no sul, italiana em São Paulo, mas ainda não temos uma identidade. O que é a culinaria brasileira? Ela é um pouco de Portugal, um pouco da Africa com a vinda dos escravos, acrescentando a italiana, alemã e japonesa, com a imigração e depois das guerras mundiais. Eu gostaria muito de trabalhar com culinária e gastronomia mas difundindo novas culinárias e novos sabores que o povo brasileiro ainda não conhece. A culinária vietnamita, por exemplo, é muito saudável, saborosa e fresca, própria para o nosso clima quente. Gostaria muito de trabalhar como consultor gastronômico ou difusor do NOVO! Esse seria meu papel no mercado de trabalho brasileiro.

Quando vou ao Brasil não procuro os melhores restaurantes e nem os mais caros pois tenho acesso aqui em Londres a estes tops. Por exemplo neste final de semana estive em Paris (!). Procuro sim, o aroma e o sabor da comida do Brasil! Que delicia aquele cheirinho de feijão fresquinho, aquela salada deliciosa, aquele tempero que só o brasileiro sabe fazer. Eu achava que por eu ter nascido e crescido no Brasil estava acostumado com o sabor e por isso achava o melhor, mas quando levo um amigo europeu para o Brasil e apresento nossos pratos, eles se apaixonam, querem mais! Então fica provado que por mais simples que sejam os restaurantes no Brasil, o sabor está lá. Procuro sempre os restaurantes de bairros tradicionais ou do centro de São Paulo que na minha opinião são os melhores. Aqueles “badalados”sempre acabam fechando ou perdendo a graça, pois nao tem alma, sao apenas “marketing”.


LARGUEI TUDO NOVAMENTE
Na minha carreira as coisas não foram tão fáceis, mas também não fiquei me apegando ao que estava ruim pois isso não me levaria a nada produtivo. No começo, quando me mudei para Londres, eu não falava inglês. Comecei a trabalhar no Royal College of Physicians como garçon. O servico era fácil e eu não tinha que falar com ninguém, muito pelo contrário, a discrição era fundamental. Comecei a estudar inglês todos os dias. Depois de alguns meses, quando aprendi um pouco, tornei-me head waiter (chefe dos garçons) e depois de um ano passei para a posição de gerente operacional, trabalhando no R.C.P. Comecei a fazer um curso de chefe de cozinha (no Westminster College) que é um colégio profissionalizante. Foi depois deste curso que recebi um convite de um português para abrirmos um restaurante em Portugal na cidade do Porto.
Estava muito bem profissionalmente em Londres antes de mudar para Portugal, mas eu estava entediado com a rotina, detesto rotina e até levanto da cama cada dia de um lado diferente, para quebrá-la! Eu precisava de um novo desafio, então resolvi arriscar tudo mudando para o Porto. Nao fiquei ilegal pois tive a sorte de ser descendente de italiano, tenho dois passaportes, o que ajudou muito profissionalmente. No começo foi tudo muito dificil, pois não tinhamos muito capital e eu não tinha nehuma experiência como chefe mas o Jorge (português) confiou em mim e juntos abrimos o “Caçula” filho mais novo, na Baixa, centro da cidade do Porto. A principio foi um fiasco, não tinhamos nenhum cliente frequente e várias contas a pagar. Somente amigos e amigos dos amigos. Depois com o boca-a-boca, fomos ficando conhecidos, tambem pelos pratos vegetarianos que introduzi em Portugal, algo muito diferente, pois o portugues gosta muito de carne, peixe e vegetarianos são muito raros. Depois de dois anos e com dois restaurantes, abrimos o Caçula Leve no bairro da Boa Vista, um pouco mais sofisticado e frequentado pelos jovens do Porto.
Sentia muita falta da minha liberdade em Londres, onde podia, visitar galerias de arte, concertos de música e viajar, minha outra paixão!

Mais uma vez, joguei tudo para o alto e voltei para Londres, sem trabalho e sem ter onde morar.
Com a ajuda de amigos que deixei em Londres e com muita força de vontade no periodo de um mês estava trabalhando como Chefe no Banco da America.


NO FIFTEEN
Um belo dia eu estava olhando os classificados no Guntree (ótimo site para procurar trabalho, moradia, etc) encontrei um anúncio do Fifteen (Jamie Oliver restaurante). Fiz uma entrevista com a Gerente Geral e comecei a trabalhar.
Em 2002, Jamie Oliver, combinou duas ambições, abrir um restaurante de classe e dar oportunidade aos jovens desavantajados uma chance profissional, treinando-os, com isso, tornando-os aptos para uma carreira independente, inspirtada e produtiva. Atraves deste conceito social e com o suporte dos clientes que adoram os pratos fantascicos que o Fifteen tem ajudam a transformar a vida destes jovens aprendizes.
A comida na Inglaterra sempre foi considerada ruim e não muito diversificada, (o famoso “Fish and Chips”) era o prato tradicional inglês, agora, depois de 10 anos, percebo que isto está mudando, temos agora vários tipos de restaurantes e com a globalizacao e o Mercado Comum Europeu, que eliminou as altas taxas de importação na Europa entre os paises do Mercado Comum Europeu, tudo ficou mais fácil e barato garantindo assim o acesso nos supermercados aos alimentos e produtos que antes eram disponiveis apenas para uma minoria. Com, isso, os restaurantes se multiplicaram, a competição aumentou e a qualidade tambem. Hoje pode-se comer barato e bem na Inglaterra. Assim como os brasileiros, os inlgeses adoram uma novidade e viajam bastante tambem. Isso fez com que eles estivessem bem abertos às novas culturas e novas culinárias.

Trabalhar no Fifteen é muito interessante, porque aprendo muito, sobre comida, sobre origem dos sabores, tenho treinamento de vinhos, visito os nossos fornecedores com os trainees, interagindo com o programa de treinamento destes jovens profissionais, aprendendo junto com eles. Pretendo ficar mais um tempo pela Europa, adquirindo mais conhecimento e quem sabe no futuro voltar ao Brasil para trabalhar como consultor gastronômico. Eu talvez até crie uma posição nova no mercado de trabalho brasileiro. Como já disse antes,rotina não aparece na minha vida. Se ela chega perto,eu mudo!! Adoro o novo, o inesperado, o que está por vir. Sou um otimista e assim sendo não me preocupo com minha carreira, dinheiro ou bens materiais, o que significa tudo isso se voce passa pela vida e não vive!

Bom, a seguir uma receita interessante, nova, que talvez pelo clima quente, seja bem gostoso de saborear no Brasil.
Bj gde

Fábio Bertolazzi
http://bonappetitbyfabio.blogspot.com/
Revista Revide Vip (uma matéria interessante sobre o Fábio)- http://www.revide.com.br/
fifteenintern.blogspot.com



RECEITA ASIÁTICA by Fábio Bertolazzi
Figo e Amêndoa Kulfi - para 4 pessoas


1 litro e meio de leite
2 cardamomos verdes, descascados (separar as sementes da casca)
80 g de açúcar refinado
30 g de figos secos picados
20 g de amêndoas sem pele, picadas
mel para servir


Coloque o leite em uma panela em fogo brando e junte as cascas do cardamomo. Mexa as vezes, com uma colher, evitando assim que o leite derrame. Depois de 3 a 4 minutos o leite deverá se estabilizar, mas mesmo assim mexa com a colher evitando que o leite queime no fundo da panela. Quando o leite diminuir mais ou menos para 1 liltro, acrescente o açúcar, retire a panela do fogo e deixe esfriar.
depois de frio, retire as casquinhas de cardamomo e acrescente o figo picado, as amêndoas e as sementes de cardamomo.
Coloque a mistura em 4 forminhas de sorvete e leve ao congelador por 4 horas ou até que estejam sólidas. Retire o Kulfi da fôrma e sirva acrescentando o mel.


Kulfi é uma sobremesa do sul da Ásia geralmente feita com leite e diferentes sabores de frutas, muito popular na India e no Oriente Médio. Ela também pode ser feita com manga, abacate ou pistache. Estes são os sabores mais comuns. Também pode-se acrescentar água de rosas.



Bom Apetite!

2 comentários:

Nane Cabral disse...

Olá, vi sua receita no site do CADEG e passei para conhecer sua cozinha, gostei bastante e já estou te seguindo. Bjinhos, Nane www.vovoqueensinou.blogspot.com

Adriano disse...

Fabio e meu amigo de muitos anos e posso garantir que, o que ele descreve eu assisti de camarote e bato palmas para esse amigo incrivel que eu conheci no longo da minha vida.Parabens Fabio que voce continue sendo essa pessoa maravilhosa que nao para de diversificar.